Entrevista com Jotapê

jpminiDurante a Customilk, trocamos uma idéia com um dos novos talentos da arte local, o Jotapê, grafiteiro, artista plástico e publicitário, tu já deve ter visto a arte dele certo, sabe aquelas moscas e pandas que estão espalhados pela cidade?! Então. Foi no meio ao vai-e-volta de pessoas que enchiam a galeria que conseguimos um banquinho pra trocar essa idéia, pra saber um pouco mais sobre a sua vida de artista.

Quando tu começou a fazer a tua arte?

Eu comecei era 99 quando eu ainda morava lá na Cidade Baixa, eu comecei a ver uns trampo do Trampo, do Pastel, do Mateus Grimm, o Pedra, e aí depois eu me mudei ali pra perto da Azenha, dai conheci o Pedra pessoalmente e o Mateus, fui na casa dele, e lá dentro já era tudo pintado, e tinha a irmã dele que era minha amiga também o quarto dela era pintado, ele tinha essa pegada de desenhar em tudo quanto era papel da casa e tal e eu sempre fui curtindo, daí no colégio eu comecei a desenhar também, na classe, no caderno, e aí eu comecei a ver que era um negocio bom pra mim quando o pessoal começou a pedir pra eu fazer des
enho, capa de trabalho, eu vi que uma coisa a mais eu tinha, aí foi que eu me envolvi, comecei a ir numas oficinas e desenvolver até hoje isso aí.

Onde tu busca inspiração?

Tipo o cara vê uns filmes, vê tv, eu me influencio em tudo o que eu vejo na rua também, acho que tudo serve de referência, daí se tu tiver essa miscelânea pode usar de tudo um pouco e fazer uma coisa própria, que é o que eu uso, eu gosto de pintar tela, de desenhar em casa, eu gosto de fazer trabalho no computador, faço edição de arte agora, eu consegui misturar o graffiti de rua com uma arte conceitual, e a parte publicitária e o design gráfico que eu acho bacana também.

O que tu acha da divulgação da arte na internet, tipo o Julian Beever disse que a popularidade dele se dá por causa internet.

É meu, eu acho que a internet é um meio que a gente tem de se prolifera, tipo tu tá num lugar faz a tua história ali, no mesmo dia uma pinta que tá lá na Europa pode ver por causa dessa conexão, do fotolog, do flikr, do myspace, essas coisas assim, e é assim que funciona a história. É saber usar as ferramentas para ter amigos, e contatos de outros lugares, daí as pessoas te dão valor pela tua arte e não pela pessoa, é uma forma de conhecer as pessoas diferente, elas te conhecem pelo trabalho mas não pessoalmente, isso é bem legal do graffiti que eu gosto também, se eu chegar num lugar onde as pessoas nunca me viram na vida, elas vão me respeit
ar pelo meu trabalho que eu faço na rua, isso eu acho demais.

E o retorno e o investimento, vale a pena virar artista?

Na real eu sempre batalhei pra ter as minhas tintas, as minhas coisas em casa, e eu nunca pensei em ter um lucro, claro depois que comecei a ter um trabalho bacana as pessoas vem procurar aí tem como valorizar o que eu faço, daí eu consegui ter um meio de fazer o que eu gosto e ganhar uma grana, eu acho que tá sendo bom o retorno, porque além do trampo e da grana tem o reconhecimento da galera, tem o entrosamento com umas pintas diferentes, de agências, de estúdios de criação, de um monte de tipo de coisa que se eu não tivesse pintando eu não ia conhecer, acho que a grande barbada é essa, tu tá envolvido e as pessoas virem até o cara para contratar o trabalho.

E a idéia da marca própria de roupa?

Bom a Pacato eu tive, meu, tipo um lance de querer usar o que a galera curte, tá ligado?! Tipo usar as roupas que eu mesmo possa fazer, as que os meus amigos fazem, o que até hoje acontece, tipo, divulgar as coisas da galera, customizar alguma coisa, daí a camiseta é o meio mais fácil de tu ter uma coisa própria, tipo tu faz pra ti, faz umas a mais e vende, daí tu consegue roupa de graça e expandir essa história, a única dificuldade é produzir tudo isso, porque no meio das camisetas, tem as pinturas, tem os trabalhos e tem outras coisas e foi daí que eu
resolvi dar um tempo, produzir outras histórias, pintar mais, fazer mais coisa em casa, pintar umas telas, mas é só um tempo, quando puder voltar a fazer eu vou fazer.

Que tu acha desse cenário atual aqui de Porto Alegre?

Aqui o lance é totalmente diferente que os outros lugares, tá ligado?! Tipo, São Paulo, Rio de Janeiro é uma cena totalmente diferente, a história aqui é outra, o pessoal é muito mais pé no chão, pessoal é mais guerreiro, de usar o material que tem e fazer disso uma boa arte, o pessoal tem muito mais talento com pouco material e se esforça muito mais pra fazer isso, porque aqui não tem o mesmo mercado que tem lá, as pinta são boa e com o material que tem e conseguem ser referência pro Brasil todo.

por Mateus Lago

fotografia: arquivo pessoal

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One Comment on “Entrevista com Jotapê”

  • CRISTIANO FRAGA wrote on 9 fevereiro, 2010, 11:51

    EAI MANO BELEZA !!
    SE TIVER COMU ENFORMAR AS OFICINAS DE GRAFITE Q VÃO ROLAR
    EM FAVEREITO DE 2010 !
    EU E UM AMIFO ESTAMOS MUITO AFIM DE COMESAR A FAZER ESSA ARTE…
    FALOWWW SE TIVERCOMU ENFORMAR MEU E-MAIL É SIRC_BCO@HOTMAIL.COM ABRAÇO.

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