Num beco sem saída
- sexta-feira, dezembro 14, 2007, 23:50
- Crônicas, Taxitramas
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Em meio à correria da torcida saindo do estádio, meu táxi foi “invadido” por dois sujeitos suarentos. Apesar de surgirem do meio da torcida, eles não pareciam ter estado no jogo. Minha suspeita logo se confirmou: era um assalto.
Nos confins da Vila Nova, na Capital, eles mandaram que eu entrasse em uma ruela sem saída. Parei no fundo de um beco escuro e desabitado. Depois de me tomarem o dinheiro, o celular e o relógio, desceram. O sujeito armado ordenou que eu ficasse no fundo do beco até que eles sumissem de vista.
Atrás do táxi, iluminados pela luz de freio, os dois começaram a discutir. Não se entendiam na divisão do dinheiro. Eu assistia a tudo pelo retrovisor, agarrado ao volante e em pânico, com o carro ligado, pronto para sair dali. Em meio à briga, o cara da arma deu um tiro para baixo, que acabou acertando o pé do companheiro.
Gritaria, confusão. O sujeito da arma recriminando seu parceiro, que, por sua vez, berrava e se contorcia de dor, caído no chão, bem atrás do meu táxi.
Essa era a minha situação: perdido na noite, preso ao fundo de um beco escuro por um assaltante com o pé estilhaçado e outro maluco com uma arma. Cheguei a engatar a ré, mas acabei desistindo da idéia de passar por cima do sujeito.
Com a arma apontada para a minha cara, o maluco me convenceu a transportar seu colega até um hospital. Para tanto, recebi de volta o meu dinheiro, o meu celular, o meu relógio e um quase sincero pedido de desculpa. De tão nervoso, eu nem me dei conta do absurdo daquela situação. Hoje, lembro e dou risada.
Isso foi há muito tempo. Desde então, encerrei minha carreira de bandeira 2.![]()
Por Mauro Castro
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